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terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Favela



























Mas que lugar é esse, que canta e dança
Que mostra pra gente que no mundo ainda há esperança
É só olhar, no olhar daquela simples criança
Que mais que uma semente, é uma flor que se planta
É um lugar, de gente sofrida que não vai chorar
Se tiver com a barriga vazia, vai levantar
Vai mostrar que é mais forte que a vida
Sempre persistir, vai encontrar a saída
É um lugar, onde não existe o termo humilhação
Pois se humilhar, é não ir atrás do feijão
Quem mora lá, vai bater no peito sim, pois ela ensina
Enquanto houver favela, haverá uma família

- Miguel Jerônimo

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Seu Silvio



Eu que não vá orar, pra Deus prepara meu pão de cada dia
e não vá sair pra trabalhar com meu carro ,
levando esse monte de nordestino cansado,
pra garantir o sustento da minha família.
A 2 eleições que não voto,
pois não confio nos porco,
que chegam prometendo chuva pra nossa gente,
pra depois vim tirar o que é nosso.
Proteção pra que? Pra quem? Por que?
Ontem atiraram tanto na madrugada,
que acabaram acertando um pobre rapaz.
Menino humilde, vendia seus bagulhos,
respeitador, não merecia aquela bala na cabeça,
apesar de sua vida "ilegal", tinha lá seus valores,
Pelo que sei, tava na vida mesmo por causa de seu moleque
Sem opção, procurou emprego em todo lugar,
mas o cara não era estudado, ai fica difícil, 
as vezes é o único caminho.
É triste nossa realidade, mas eu como pai,
estou sentindo a dor da mãe daquele garoto,
é fácil julgar o moleque que rouba, trafica, se droga,
mas só quem é, sabe a cruz que carrega
Motivos e uma arma, é o que muitos precisam pra sobreviver!
Infelizmente a vida é injusta!

- Miguel Jerônimo


domingo, 17 de novembro de 2013

Pedra no Sapato




















Já virou rotina acordar na quebrada,
barulho de tiro, com varias rajadas,
o mano caiu, de madrugada,
porém ninguém viu, havia uma farda
Mlk dahora, não dava mancada,
era respeitado pelos camaradas,
com os cordão pesado, e as roupas que usava,
umas mina dizia até que o amava
O mano trampava, trabalhador,
que foi confundido com estuprador,
sua velha esperava, ele não chegou,
soube da notícia então desmaiou,
ela suplicou, pediu pelo filho,
mas cadê o corpo daquele menino?
E aquele ser que era pra proteger,
se torna o verme que fere o caminho.

Atrás de justiça, ela foi pra mídia,
e denunciou aquela chacina,
falou da milícia, deu nome aos polícias,
disse que seu filho pagou com a vida,
A TV mostrou, o seu relato
mas não podia comprovar os fatos
e pra tristeza daquela mulher
eles deturparam todo aquele caso
E mais uma vez a velha chorou
a morte de Kevin em vão ficou
ele sustentava aquela família
moleque guerreiro, saudades deixou
E não terminou, o fim dessa cena
pedra no sapato, um grande problema,
e como a velha sabia demais
eles a mataram em sua residência

- Miguel Jerônimo

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Almas Perdidas


Não sei qual sua crença, não sei sua eloquência
Eu não sei, mas o que me espanta é a sua indiferença
Pouca gente se olha, muito menos se fala
calor só vem do sol, porque o outro atrapalha
De graça, ninguém quer dar sorriso
Se vende ao despedício, depois reclama, sim, da solidão
O mano que se doa, tem o valor dobrado,
Mas criam inimigos, sem saber nem a razão
Não é preço, é apreço, é a dor, reconheço
Pelo amor, pra que tanto egoismo desse jeito?
É um mundo onde só impera corja, que muita gente roda
O caminho perfeito pra derrota
A história não ta morta, e pouca gente quer lutar
Mas sei que vão chorar, pois a enchente vai voltar
E que não seja tarde, quando o inverno vai chegar
O menos preparado vai cair, deixa eu orar

Almas perdidas, decâdencia deste mundo
almas perdidas, corja, a escória de tudo
almas perdidas, eu vejo, o mesmo ciclo se repete
por elas que eu faço uma prece

Se entrega, é o que eles querem, a alma, espada fere
quem sangra se ilude, com a moeda que oferecem
Esquecem, que podem mais, que são muito capaz
parece que foi em vão, a morte de meus ancestrais
Valores vão se perdendo, em meio as ambições
Desistir já virou moda, eu não sigo padrões
Relações cortadas, com multidão despreparada
Que ladra, mas não levanta, para lutar pela nação
Oração, pelas almas perdidas, pelo sangue em vão
pelas guerras sofridas, pela falta de pão
pelo mano que luta e cai, ajudando o seu povo
não pelo engravatado, que só quer enxer o bolso
Só decadência, ta osso, as exigências vinham de poucos
mas faziam a diferença,  os que tentaram, 
não marcaram só presença, honraram seus irmãos
usando todas as potências

Almas perdidas, decâdencia deste mundo
almas perdidas, corja, a escória de tudo
almas perdidas, eu vejo, o mesmo ciclo se repete
por elas que eu faço uma prece

Miguel Jerônimo

quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Pela Fresta do Portão



Pela fresta do portão, vejo uma guerra em vão
e uma ilusão que é criada, gerada
pelo pobre que não tem pra comprar o pão
Homens, crianças, mulheres sem esperanças
que seguem o caminho menos complicado
pra conseguir um dinheiro nada suado
O pouco suor desses que já vi cair
é quando os "outros" entram aqui
esses pensam que são os "reis", "heróis"
mas acabam sendo piores ou iguais
que aqueles, que eles julgam como marginais
Animais! Matam, batem, cospem na sua cara
te apontam uma arma, mesmo sem você ter feito nada
Não consigo ver tanta diferença entre esses dois lados
ambos sabem causar dor
mas prefiro confiar nos que estão em minha casa
pois já me mostraram um pouco de valor
Chegando a noite, começa a festa
Pessoas entram e saem da estreita viela
a fumaça toma conta de todo o espaço
fiquem ligados! 
Pois os mesmos playboys que te medem nas ruas e te esnobam
entram aqui de cabeça baixa e compram uma merda de droga
Não é só isso que está errado!
tem muito certinho por ai, se vendendo só pra ter um baseado
O campana nunca se distrai, fica observando atentamente
nessa vida descontente, "puxa um", pra esvaziar a mente
Aterrorizante, é quando eles saem correndo
Eles gritam: - Sujo, sujo! Já da pra prever o que está acontecendo
Vai vendo, os tais "heróis" entram armados, folgados
Quem chega de fora é barrado 
e tem que responder um tenso questionário
Não quero nem lembrar deste fato!
Bom, é melhor eu entrar e parar de olhar, 
se não algo pra cima de mim eles vão jogar
E se acontecer já era! O sistema é falho
Enquanto o rico ladrão é absolvido
O pobre inocente se torna carta fora do baralho

- Miguel Jerônimo

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Da pior forma


















Quem acredita sempre alcança!
Devagar se vai ao longe!
Como posso crer em frases
Que não me dizem a verdade
Eu acreditei, eu fui com calma, mas eu sofri!
Nunca me disseram:
"Quem não aprende no amor, aprende na dor"
E foi assim que aprendi
Aprendi que o certo, pode ser errado
E a deturpar as verdades
Que a família está em primeiro lugar
Que pagar aluguel é foda, que sobra aqui, falta ali, a vida é assim
Aprendi a sorrir e chorar, e a não me lamentar
Eu já errei demais, não adianta olhar pra trás
O que é passado, foi passado
Vou viver meu presente, buscar meu futuro
Procurar meu lugar, os males exorcizar
E sei, que da pior forma eu vou descobrir
Porque o ser humano gosta tanto de apanhar?
Essa resposta um dia eu vou encontrar
Acho que foi para isso que nasci!

- Miguel Jerônimo 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Canção do Exílio - Versão Periferia

"O gueto é minha vida, meu início, o meu fim
Eu sai da favela, ela não saiu de mim
Foi lá que aprendi, a valorizar os dias
Não há melhor lugar, que nossa periferia"

- Miguel Jerônimo 


quarta-feira, 17 de julho de 2013

Pra cima deles - Soneto Corintiano



















Era quarta feira a noite e o Pacaembu tava lotado
Eram mais de 30 milhões de corações acelerados
Foram gritos de incentivo, uns poucos que xingaram
Mas quando saiu o gol, os que eram contra se calaram

Os olhos encheram de lágrimas e o peito ficou sem ar
Os gritos viraram berros e os braços à balançar
Era Corinthians, raça a cada lance, paixão
vai pra cima deles, não para Timão

Loucos, por amar, sofrer e dar a vida
Nosso orgulho é ter um time que joga pela torcida
Mais que um time loucos, uma nação de exagerados

Contra tudo e todos, nunca estamos calados
Somos mais, com nóis é outra história, família
Honramos nosso amor, vestimos a camisa

- Miguel Jerônimo

segunda-feira, 15 de julho de 2013

A dor da saudade


















Saudade, é a dor que invade
É a lembrança que perturba,
é o coração que sempre bate,
quando eu vejo que a lua,
mesmo crescente, não é maior
que o brilho de uma criança inocente.

Eu busco forças todo dia para superar,
as lagrimas caem, pesam, não consigo evitar,
a ficha não cai! É difícil de aceitar
que alguém que se ama vai embora,
para nunca mais voltar.

Metade de mim grita o anseio da dor
a outra metade é conforto, esperança,
o amor, a felicidade, os momentos que passaram,
são as forças que acalmam, o que me da confiança,
para continuar e seguir sempre,
bola pra frente eu já devia estar preparado,
os manterei em minha mente,
sempre terei ao meu lado, quem eu amei,
seguiu comigo, será sempre lembrado.

Miguel Jerônimo

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Os incomodados que mudem o mundo



Brasil
Terra de gente hostil,
Hipócrita,
Imbecil
Que cobra e não age
Que chora, covarde 
Ta atrasado!
A morte soluciona muitos fatos
Mas a ignorância alheia...

Miguel Jerônimo

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Mestre


















Nada foi fácil, nem por isso eu desisti de meus passos
Minha velha ensinou a não temer o fracasso, sempre escasso
Mas nunca permitiu faltar o necessário, mas nunca permitiu faltar
Hoje sou grato, porque aqueles que em mim não acreditaram
Pois me fizeram forte, não vem pagar de rato aqui
Eu cresci com valor, cresci com os aliados
Não vem de ditador, que vai pagar de otário
Hoje sonhei com um mundo melhor, hoje sonhei com a vida
E a cada sangue derramado, suor, é um degrau pra conquista
Eu quero paz, pelo amor de Deus, não tenho a vida ganha
Eu tenho que correr pelo meu
Mas um sorriso teu já me faz faturar o dia
Me sinto bem mais forte em sua companhia
Cada alegria, vou resumir em música, a poesia, será pra sempre sua
Quero lembrar, sempre que olhar pra chuva, estarei olhando por você daqui
Ser louco sim, se permitir sonhar, acreditar, seguir em frente
Recomeçar, não ter medo de amar e não cansar nessa luta
Entrar de corpo e alma, pois nossa vida é curta

- Miguel Jerônimo

sábado, 22 de junho de 2013

A Falta


























A Falta

Em minha casa,
falta dinheiro,
falta comida,
falta paz e segurança,
para mim, faltou infância,
graças a um sistema
que só faz lambança,
não valem nada,
pra eles sobra de tudo,
dinheiro, saúde, morada
mas ainda falta vergonha na cara

Miguel Jerônimo

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Nossa voz


















Nós temos voz, eles tem arma
Nós queremos paz, eles querem caça
Imploramos liberdade, dignidade, direitos
Mas foi com gás de pimenta e balas de borracha
Que eles responderam
Foi tenso, mas não, nunca nos calarão
Se é guerra que eles querem, então eles terão
Nós somos maioria, mas eles tem a mídia
Em meio a hipocrisia, vamos de mãos vazias
Carregamos esperanças, nos olhas vermelhos
Do gás que foi atirado, da raiva, do medo
Não vai ser a gente que vai tremer
Não seremos nós que vamos correr
Se preciso ser preso, foi como disse o poeta
Morrer como um homem, é o prêmio da guerra

- Miguel Jerônimo

quinta-feira, 13 de junho de 2013

A luta não pode parar


















Essa é só mais um protesto, incerto
Nesse país não adianta ser inteligente, correto
Se for fraco, farão sua cabeça
Se for forte, o jogarão sobre a mesa
E o comerão na ceia
Enquanto uns vivem, comem do bom e do melhor
Outros lutam, sofrem pra sair da pior
O pouco que esses têm ainda é tirado
Graças a um sistema que é sujo e falho
Estamos cansados de sermos olhados de cima pra baixo
Infelizmente nossos representantes nunca nos dão ouvido
Só consegue enxergar seu buraco, seu umbigo
Sei que já lutaram por você e por mim
Muito já feito, mas ainda não é o fim
Se necessário sair na mão, brigar pelo pão
Morrer como homem é o prêmio da missão
Só eles que conseguem ver igualdade, mó viagem
O que eu não enxergo deles é a tal da humanidade
Os que têm muito, são "muito˜
Os que têm pouco, são ˜pouco˜
Os que querem ser alguém são tratados como porcos
A realidade é que a luta não para
Pois nessa batalha
Só os fortes sobrevivem

Miguel Jerônimo

terça-feira, 4 de junho de 2013

Cobranças




















A questão aqui não é ser preto, é porque eu vim do gueto
só por isso que eles querem me tirar
Sem esse pensamento pequeno, eles pararam no tempo
e o mundo continua a girar
Eu vou seguir em frente, vou ser mais inteligente
tenho dó dessas pessoas, só tenho que lamentar
Queria que minha gente acordasse para vida
E percebesse que todo mundo deve sim, se respeitar
Com resistência e persistência, vou seguindo a sequência
A voz da experiência que não me deixa cansar
Já vi minha mãe chorar por não ter comida em casa
mas nunca vi ela, desistir de lutar
Me ensinou que a vida é a melhor escola
e que lá fora ela te cobra, se aqui não estudar
Um homem de verdade se prepara todo dia
mete a cara e não da um passo sem pensar

Miguel Jerônimo

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Enquanto eles ditam a gente luta






















E nóis caminha e canta, luta e não cansa
Contra um sistema cheio de ignorância
Fazemos a dança, pra chuva chegar
Gritamos bem alto, pra multiplicar
Recruta nos lares, nas ruas e bares
Qualquer lugar, em toda cidade
Não importa a idade, só não ser covarde
Pois eles são fortes e testam coragem
Fazem o corte, mas nós somos fortes
E vamos pra guerra, sem medo da morte
Arma é a voz que não se cala jamais
Queremos liberdade e buscamos nossa paz
Que foi tirada, foi torturada, foi exilada
Foi presa, foi desaparecendo as fraquezas
E tendo a certeza que quanto mais sumir
Mais se erguerão, para vocês cair
Somos a esperança, vamos com consciência
Lutar com persistência, somos a resistência
Morrer pelo certo, sem hipocrisia
De peito aberto, pela democracia

Miguel Jerônimo

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Soneto do Foda-se



















Soneto do Foda-se

Foda-se tudo
Foda-se o mundo
Foda-se o surdo
Foda-se o mudo

Foda-se quem fala
Foda-se quem rala
Foda-se a bala
Foda-se a vergonha na cara

Foda-se a ti
Foda-se a mim
Foda-se ao in

Foda-se a falta de inspiração
Foda-se os filósofos de opinião
Foda-se o Foda-se

Miguel Jerônimo
Rafael Carvalho

terça-feira, 28 de maio de 2013

Algemas Invisíveis

















Eles querem me controlar
Não querem bater de frente
Pensam que vão manipular
Controlar a minha mente
Eu sou mais um inocente
Nesse vasto mundo
Me chamam de louco
Me tratam como vagabundo

Eles querem o mundo do seu jeito
Bonito, perfeito, sem erros
Mas sempre tem o colateral efeito
E surge o medo
Não sou brinquedo
Não sou nenhum robô
Exijo respeito
Que coisa é essa que não posso ver?
Que coisa é essa que quer me fazer obedecer?
Me ensinaram a ser forte
Não vou contar com a sorte
Que ultimamente tem sido
Um passaporte pra morte
Querem me jogar num mundo de fantasias
Onde não posso controlar a minha propria vida
Essa agonia, que nos contagia
Queria que tudo fosse apenas ironia

Me colocaram numa sala branca
Com uma camisa de força
Me deram um diagnóstico de gente louca
Julgaram meus atos
Não foram sensatos
Me chamaram de fraco
Fiquei atordoado

Eu não sou louco
Sou apenas mal compreendido
Eu não sou louco
Sou apenas mal compreendido
Eu não sou louco
Sou apenas mal compreendido
Eu não sou louco

Miguel Jerônimo

sábado, 23 de março de 2013

Escritores da Liberdade














O medo, o receio, o respeito de uma raça
A mentira, a verdade, o caçador e a caça
As guerras, as gangues, pensamentos infames
O ar, a dor,o ardor de um homem
Silêncio, o tempo já se esgotou
A morte, um tiro, quem morreu?, quem matou?
Um inimigo, a fome, a perca de um amigo
Um cadaver, uma arma, levei a culpa por isso
Uma garota, um sorriso e marcas no corpo
Aprender, aceitar, cada um tem seu gosto
Aqui dentro, alunos numa sala de aula
Lá fora heróis, desviando de balas
Ninguém liga se arrisco minha vida todo dia
Eu vivo da prática e não da teoria
Respeite os seus, protejo os meus
Negros, brancos, latinos, Judeus
Deus, a salvação que todos têm
Pedidos e orações, pra que tudo saia bem
Uma turma, um refúgio, uma professora
Histórias reais, que valem mais que qualquer coisa
Mudanças, crianças adultas
Que nos ensinam a amar, mesmo a vida sendo dura
Cada momento, instante, cada ato
Retratam suas vidas em pequenos relatos
Me fazem pensar e parar de reclamar
Muitos já lutaram, pra essa guerra acabar
Escritores que usaram sua própria voz
Ensinaram que todos os dias somos heróis
Falsidade, crueldade, maldade, orfandade
Humildade, dignidade, igualdade, verdade
Buscamos nosso futuro, fazemos nossa parte
Isso nos torna, "Escritores da Liberdade"

Miguel Jerônimo

Baseada no filme: "Escritores da Liberdade"

quarta-feira, 20 de março de 2013

Rotina


















Rotina, acordar cedo, madrugada,
frieza, na quebrada, gelando na parada, faz parte
Pedindo para Deus que nos proteja, ilumine a cabeça,
rezando pra que nunca falte nada
Saindo aqui nas viela escura, temendo as viaturas,
marcas da ditadura, covarde
O seu José também indo trampar, Felipe estudar,
Cibele povinhar, alarde
Gritou o Mano Boca, o campana, confio nem em criança,
X-9 é o cão, tem que matar
Pra esses ficam as lamentações, pois choram suas mães,
sem saber se seus filhos vão voltar
Tem rato, tem barata e até porco, que quer pagar de louco,
a sua intenção é arrastar
Mas não sabem que vão pra decadência, já disse a experiência,
com as migalhas esses vão ficar
Estou chegando em frente a padaria, João, Dona Maria,
fazendo o ganha pão pra sustentar
A filha, sua mãe e uma prima, que ta com leucemia,
estado terminal, só resta orar
Olhei pro ponto cheio, um busão, corrida, condução,
eu sei que um dia vai melhorar
A gente busca sim uma condição, quer valorização,
espaço pros irmãos poder sonhar

Miguel Jerônimo