sábado, 30 de novembro de 2013

Testamento




















Em meio a este caos, eu vi a luz surgindo
Na ponta de uma caneta, encontrei o meu caminho
Liberto das correntes, que mantinham-me sozinho
Passei a ter poder, e escrever o meu destino
Como um Rei Midas, com palavras destruía
Tudo o que eu tocava virava poesia
Atirava com rancor, rimava com alegria
Feito um salvador, não suportava injustiças
Como Robin Hood, ajudei quem precisava
Tirei dos que "podia" e dividia com a massa
Cantava humildade, pedia melhorias
Clamava igualdade, amor no dia a dia
E por ser homem negro, eu não me fiz omisso
Eu me fiz forte, sim, sabendo dos precipícios
Que a vida bota, mas que o tempo leva
Eu aprendi na derrota, em meio as minhas quedas
Fui super herói, lutei contra hipocrisia
Passei a ser vilão, com o dedo na ferida
Mas eu era poeta, voz da periferia
E tudo que eu fiz, deixarei com minha rima
Se eu me for, eu não quero sofrimento
Quero deixar um testamento, pra quem andou comigo
Pra familia humildade, paz pros meus amigos
Sonhos realizados e amor pros inimigos

- Miguel Jerônimo

domingo, 17 de novembro de 2013

Pedra no Sapato




















Já virou rotina acordar na quebrada,
barulho de tiro, com varias rajadas,
o mano caiu, de madrugada,
porém ninguém viu, havia uma farda
Mlk dahora, não dava mancada,
era respeitado pelos camaradas,
com os cordão pesado, e as roupas que usava,
umas mina dizia até que o amava
O mano trampava, trabalhador,
que foi confundido com estuprador,
sua velha esperava, ele não chegou,
soube da notícia então desmaiou,
ela suplicou, pediu pelo filho,
mas cadê o corpo daquele menino?
E aquele ser que era pra proteger,
se torna o verme que fere o caminho.

Atrás de justiça, ela foi pra mídia,
e denunciou aquela chacina,
falou da milícia, deu nome aos polícias,
disse que seu filho pagou com a vida,
A TV mostrou, o seu relato
mas não podia comprovar os fatos
e pra tristeza daquela mulher
eles deturparam todo aquele caso
E mais uma vez a velha chorou
a morte de Kevin em vão ficou
ele sustentava aquela família
moleque guerreiro, saudades deixou
E não terminou, o fim dessa cena
pedra no sapato, um grande problema,
e como a velha sabia demais
eles a mataram em sua residência

- Miguel Jerônimo

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Almas Perdidas


Não sei qual sua crença, não sei sua eloquência
Eu não sei, mas o que me espanta é a sua indiferença
Pouca gente se olha, muito menos se fala
calor só vem do sol, porque o outro atrapalha
De graça, ninguém quer dar sorriso
Se vende ao despedício, depois reclama, sim, da solidão
O mano que se doa, tem o valor dobrado,
Mas criam inimigos, sem saber nem a razão
Não é preço, é apreço, é a dor, reconheço
Pelo amor, pra que tanto egoismo desse jeito?
É um mundo onde só impera corja, que muita gente roda
O caminho perfeito pra derrota
A história não ta morta, e pouca gente quer lutar
Mas sei que vão chorar, pois a enchente vai voltar
E que não seja tarde, quando o inverno vai chegar
O menos preparado vai cair, deixa eu orar

Almas perdidas, decâdencia deste mundo
almas perdidas, corja, a escória de tudo
almas perdidas, eu vejo, o mesmo ciclo se repete
por elas que eu faço uma prece

Se entrega, é o que eles querem, a alma, espada fere
quem sangra se ilude, com a moeda que oferecem
Esquecem, que podem mais, que são muito capaz
parece que foi em vão, a morte de meus ancestrais
Valores vão se perdendo, em meio as ambições
Desistir já virou moda, eu não sigo padrões
Relações cortadas, com multidão despreparada
Que ladra, mas não levanta, para lutar pela nação
Oração, pelas almas perdidas, pelo sangue em vão
pelas guerras sofridas, pela falta de pão
pelo mano que luta e cai, ajudando o seu povo
não pelo engravatado, que só quer enxer o bolso
Só decadência, ta osso, as exigências vinham de poucos
mas faziam a diferença,  os que tentaram, 
não marcaram só presença, honraram seus irmãos
usando todas as potências

Almas perdidas, decâdencia deste mundo
almas perdidas, corja, a escória de tudo
almas perdidas, eu vejo, o mesmo ciclo se repete
por elas que eu faço uma prece

Miguel Jerônimo

sábado, 26 de outubro de 2013

A Dança

"Não era dia de festa, nem era fevereiro
Mas sei que dançaria de janeiro a janeiro
Não sabia o roteiro, ou o tempo que lhe resta
Mas fazia os outonos, virarem primaveras"

- Miguel Jerônimo e Danilo Benício


quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Pela Fresta do Portão



Pela fresta do portão, vejo uma guerra em vão
e uma ilusão que é criada, gerada
pelo pobre que não tem pra comprar o pão
Homens, crianças, mulheres sem esperanças
que seguem o caminho menos complicado
pra conseguir um dinheiro nada suado
O pouco suor desses que já vi cair
é quando os "outros" entram aqui
esses pensam que são os "reis", "heróis"
mas acabam sendo piores ou iguais
que aqueles, que eles julgam como marginais
Animais! Matam, batem, cospem na sua cara
te apontam uma arma, mesmo sem você ter feito nada
Não consigo ver tanta diferença entre esses dois lados
ambos sabem causar dor
mas prefiro confiar nos que estão em minha casa
pois já me mostraram um pouco de valor
Chegando a noite, começa a festa
Pessoas entram e saem da estreita viela
a fumaça toma conta de todo o espaço
fiquem ligados! 
Pois os mesmos playboys que te medem nas ruas e te esnobam
entram aqui de cabeça baixa e compram uma merda de droga
Não é só isso que está errado!
tem muito certinho por ai, se vendendo só pra ter um baseado
O campana nunca se distrai, fica observando atentamente
nessa vida descontente, "puxa um", pra esvaziar a mente
Aterrorizante, é quando eles saem correndo
Eles gritam: - Sujo, sujo! Já da pra prever o que está acontecendo
Vai vendo, os tais "heróis" entram armados, folgados
Quem chega de fora é barrado 
e tem que responder um tenso questionário
Não quero nem lembrar deste fato!
Bom, é melhor eu entrar e parar de olhar, 
se não algo pra cima de mim eles vão jogar
E se acontecer já era! O sistema é falho
Enquanto o rico ladrão é absolvido
O pobre inocente se torna carta fora do baralho

- Miguel Jerônimo

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Da pior forma


















Quem acredita sempre alcança!
Devagar se vai ao longe!
Como posso crer em frases
Que não me dizem a verdade
Eu acreditei, eu fui com calma, mas eu sofri!
Nunca me disseram:
"Quem não aprende no amor, aprende na dor"
E foi assim que aprendi
Aprendi que o certo, pode ser errado
E a deturpar as verdades
Que a família está em primeiro lugar
Que pagar aluguel é foda, que sobra aqui, falta ali, a vida é assim
Aprendi a sorrir e chorar, e a não me lamentar
Eu já errei demais, não adianta olhar pra trás
O que é passado, foi passado
Vou viver meu presente, buscar meu futuro
Procurar meu lugar, os males exorcizar
E sei, que da pior forma eu vou descobrir
Porque o ser humano gosta tanto de apanhar?
Essa resposta um dia eu vou encontrar
Acho que foi para isso que nasci!

- Miguel Jerônimo 

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Canção do Exílio - Versão Periferia

"O gueto é minha vida, meu início, o meu fim
Eu sai da favela, ela não saiu de mim
Foi lá que aprendi, a valorizar os dias
Não há melhor lugar, que nossa periferia"

- Miguel Jerônimo